sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Médico queimou prontuários que provavam esquema da Máfia das Próteses, afirma MP

Ana Viriato/Correio Braziliense
O médico Fabiano Duarte Dutra queimou prontuários, pen drives, indicativos de repasses monetários, entre outras dezenas de documentos públicos e privados, três dias após a deflagração da Operação Mister Hyde, em 4 de setembro, no Parque Dom Bosco. A informação, embasada por filmagens do local e pela denúncia de uma testemunha presencial, foi anunciada na tarde desta sexta-feira (21/10), pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco).
O ortopedista foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira, durante a deflagração da terceira fase da Mister Hyde. A operação investiga um suposto conchavo composto por médicos, hospitais e empresas de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs), que enriqueciam com a realização de cirurgias desnecessárias, superfaturamento de equipamentos, troca fraudulenta de próteses e uso de artefatos vencidos em pacientes.
O MPDFT já ofereceu denúncias contra Fabiano Dutra por supressão de documentos e embaraço da investigação em caso de organização criminosa. O médico estava sob os olhos da Justiça desde a primeira fase da Operação Mister Hyde, quando uma suposta vítima dele teria procurado a Polícia Civil para prestar acusações. Segundo o delegado da Deco Adriano Valente, “os documentos foram destruídos, porque poderiam apresentar grande relevância às investigações”.
Rede pública
Fabiano Dutra era, além de médico, coordenador técnico de ortopedia da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O cargo concedia a ele o poder de, por exemplo, designar a quantidade de artefatos do setor a serem adquiridos, além de escolher o fornecedor dos materiais. Dessa forma, a Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal querem saber se o esquema ocorria também na rede pública de saúde do DF.
Em nota, a direção do Hospital Home informa que “segue colaborando com o Ministério Público do Distrito Federal e a Polícia Civil, fornecendo documentos e esclarecimentos solicitados, e reafirma que o hospital não tem qualquer relação com os fatos apontados pelas investigações”. De acordo com a instituição, “o Home foi surpreendido com a informação da detenção provisória de um dos médicos que atende no hospital, ocorrida na manhã de hoje, em sua residência. Sem saber mais detalhes acerca dos motivos da prisão, aguardará o avanço das investigações para se pronunciar a respeito”.