sexta-feira, 22 de julho de 2016

Uma noite no único albergue para pessoas em situação de rua de Natal

Novo Jornal
Ainda é dia quando as primeiras pessoas começam a chegar ao pequeno edifício de dois pavimentos no final de uma importante rua do centro da cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte. A passos lentos, muitos chegam sem nada nas mãos, carregando apenas a esperança de conseguir um lugar para passar a noite. É assim dia após dia no Albergue Municipal de Natal.
Alternativa encontrada para suprir as necessidades básicas de quem não tem uma casa para morar, o Albergue é mantido pela Secretaria de Trabalho e Assistência Social e conta, entre outros funcionários, com a presença de psicólogos, assistentes sociais e pedagogos.
As regras são claras: só entra quem tem o nome na lista e é preciso chegar cedo para ter prioridade no acesso, que começa às 19h. A fila, formada até quatro horas antes, chega a ter 90 pessoas em dias de grande movimentação. Apesar disso, apenas 58 (50 homens e 8 mulheres) têm garantido o direito de ter uma cama para dormir, um banheiro compartilhado com chuveiro e duas refeições (a janta e o café da manhã).
Os perfis são diversos, mas a presença masculina predomina. Famílias com crianças não são bem-vindas. Idosos também não. “O albergue só atende pessoas entre 18 e 59 anos. Pessoas que ingeriram bebida alcoólica ou estão sob o efeito de drogas são barradas na portaria. É uma maneira de desestimular o uso”, explica a pedagoga Selma Maria Dantas, que há dois anos trabalha no Albergue.
Ter o nome na lista e ser chamado pelo porteiro do albergue é o sonho diário de dezenas de frequentadores daquela região da cidade. Marcela Bezerra e Eduardo Santos sonhavam com isso naquele dia.
Atentos a cada nome anunciado, o casal, junto há oito meses, guardava a esperança de que dessa vez sobrariam vagas para os dois e a suspensão de quinze dias que Marcela recebeu após doar as sobras do jantar servido pelo Albergue para alguém que ficara do lado de fora fosse anulada. Pouco antes do portão fechar, por volta das 20h, a esperança do casal e da meia dúzia de pessoas que ainda estão do lado de fora vai sendo substituída pelo sentimento de raiva e frustração.
O som do cadeado e da porta de entrada sendo fechados é a sentença final: Marcela e Eduardo não conseguem entrar. Resta agora procurar um lugar para passar a noite.
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