sexta-feira, 15 de julho de 2016

Morte de jovem durante jogo de futebol em Natal traz alerta, diz educador físico

AgoraRN
A morte do jovem Almir Filho, registrada na noite desta quinta-feira (14) em um campo society de Natal durante a realização de uma partida de futebol, causou espanto em muitas pessoas por não se tratar de uma situação comum na sociedade. Afinal, muitas pessoas têm apenas as famosas ‘peladas’ ao longo da semana como atividades físicas regulares em suas vidas.
A fatalidade ocorrida com Almir (foto abaixo) serve de alerta para muitos atletas amadores que não realizaram seus check-ups recentemente e continuam praticando esportes sem nenhuma precaução por trás. Pensando nisso, o portal Agora RN conversou com o educador físico Vinícius Cardenas, que discorreu sobre as necessidades antes da prática de atividades esportivas e alertou para os cuidados essenciais.
Em 2004, morte de Serginho levou pavor ao futebol e mudou visão sobre o coração
“É ideal que o paciente procure um cardiologista antes de qualquer atividade física que pense em fazer. Uma consulta com o profissional mostrará toda a situação clínica dele. Haverá uma série de exames que permitirão ao médico e ao próprio paciente descobrir informações importantes acerca de seu estado de saúde, levando em consideração os casos de histórico genético, quadro de hipertensão, possíveis cardiopatias, diabetes, etc. Depois de todos os exames, o médico vai dizer se o paciente está apto ou não a fazer atividades”, contou.
“O segundo passo é procurar um profissional de educação física para que ele possa passar um treinamento adequado, seja esse treinamento diário ou alternado (três vezes na semana, por exemplo). O fato é que a atividade deve vir acompanhada de um profissional capacitado. Às vezes, as pessoas passam a semana inteira no sedentarismo e no sábado ou domingo jogam futebol, que é uma atividade de intensidade muito elevada, e aí acaba complicando. O futebol pode sobrecarregar muito o organismo”, alertou.
Cardenas admite que situações de morte durante partidas de futebol são pouco recorrentes, entretanto, isso não implica dizer que os exames de rotina devem deixar de ser feitos, muito pelo contrário.
“Essas fatalidades podem acontecer devido a essa mudança repentina de ritmo. É claro que não é comum ver alguém falecer nessas situações, são coisas que não acontecem sempre, mas as vezes o fato de não sentir nada não quer dizer que a pessoa não tenha nenhuma patologia ou algo que possa desencadear um problema grave durante o jogo”, concluiu.
Vale lembrar que mortes durante partidas de futebol já aconteceram inclusive em competições profissionais. Em 2004, o zagueiro Serginho, então defensor do São Caetano/SP, sofreu parada cardiorrespiratória durante partida contra o São Paulo, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. Ele tinha 30 anos e sofria de miocardiopatia hipertrófica assimétrica, uma doença que provoca a dilatação do coração.