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Polícia identifica três suspeitos de participar de estupro coletivo no Rio

Correio Popular - Uma adolescente de 16 anos foi vítima de estupro coletivo dentro do Morro da Barão, na Praça Seca, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no último final de semana. Ela foi violentada por 33 homens que seriam integrantes do chamado Trem Bala do Marreta, grupo formado por traficantes.
O crime veio à tona somente agora, depois que bandidos publicaram um vídeo após o ataque, no qual a moça aparece nua, com os órgãos genitais expostos, e jogada numa cama, em grupos de WhatsApp, no Twitter e em páginas do Facebook. Nas imagens, de pouco menos de 40 segundos, os criminosos vibram e zombam da vítima.
A cena de barbárie chocou as redes sociais e foi denunciada à Ouvidoria do Ministério Público e da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio de Janeiro. Um inquérito foi instaurado e, agora, a Polícia Civil tenta identificar os homens que atacaram a moça.
No próprio vídeo, um homem diz que “uns 30 caras passaram por ela”. Militantes feministas levaram o caso para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) e foi feita uma denúncia anônima com o vídeo e capturas de tela das redes sociais. A conta que inicialmente divulgou o vídeo foi bloqueada no Twitter, após uma série de denúncias.
De acordo com os investigadores, três homens envolvidos no crime já foram identificados e terão a prisão preventiva pedida pela polícia em breve. Dois deles publicaram as imagens na internet. O terceiro aparece no vídeo divulgado nas redes sociais. Nenhum nome foi revelado.
De acordo com o site da revista Veja, a adolescente namorava um homem suspeito de integrar o tráfico da favela, identificado apenas pelo apelido de Petão, e que estudava com ela numa escola do bairro da Taquara.
Na madrugada do último sábado, ela saiu da casa onde morava com a mãe e o filho de 3 anos para ir a um baile funk na comunidade. Só retornou dois dias mais tarde, segundo a família, visivelmente drogada e com roupas masculinas, já que as suas haviam sido roubadas.
Segundo a avó da moça, o motivo do crime teria sido vingança do namorado. A menina, que está tomando remédios em razão do estupro coletivo, contou que ele cometeu o crime porque achava que havia sido traído. A adolescente prestou um primeiro depoimento à Polícia Civil.
“Quando ela acordou na favela, tinha mais de 30 traficantes em volta rindo e zombando”, contou um investigador ao site da Veja. No depoimento, ela disse “que acordou domingo em uma casa na mesma comunidade com 33 homens armados com fuzis e pistolas; que estava dopada e nua”.
Marreta, do tal Trem Bala do Marreta, é o apelido de Luiz Claudio Machado, traficante do Comando Vermelho, que foi preso por agentes da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil, no Paraguai, em 2014.
OAB classifica o crime como 'barbárie' e 'atos repulsivos'
A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) classificou como “barbárie” o estupro coletivo sofrido pela adolescente. “Os atos repulsivos demonstram, lamentavelmente, a cultura machista que ainda existe, em pleno século 21”, diz a entidade em nota.
“Um estupro coletivo, com requintes de crueldade, no qual vários indivíduos perpetuaram a humilhação expondo, nas redes sociais, a dor da vítima”, afirma.
A OAB-RJ atenta ainda para o fato de que, para cada caso público de estupro, tantos outros permanecem
ocultos, sem repercussão. “Precisamos lutar contra a violência em cada lar, em cada comunidade, em cada bairro. A revolta e a mobilização são claros indícios de que a indignação social se faz fortemente presente”, continua a nota.
Diante do ocorrido, a OAB-RJ afirma que frases machistas, piadas sexistas e propagandas que tornam a mulher um objeto sexual devem ser combatidas, “sob o risco de se tornarem potenciais incentivadoras de comportamentos perversos”. A entidade está oferecendo assistência jurídica à família e afirma esperar que a lei prevaleça na punição aos responsáveis.
A Polícia Civil pede que qualquer pessoa com informações sobre o caso entre em contato para denunciar os autores. A Safernet, organização sem fins lucrativos dedicada à defesa e promoção dos direitos humanos na internet, recomenda que as imagens não sejam compartilhadas para não expor ainda mais a vítima.

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