sexta-feira, 20 de maio de 2016

Homem é queimado vivo por multidão após roubar 5 dólares na Venezuela

Extra - Um homem de 42 anos foi queimado vivo por uma multidão na Venezuela após roubar o equivalente a 5 dólares. Morador de uma favela de Caracas, Roberto Bernal foi visto correndo na rua e, por isso, homens que estavam na calçada de um supermercado o socaram, deduzindo que ele era um criminoso. Quando um idoso disse que tinha sido assaltado por ele, os homens colocaram gasolina na cabeça de Bernal e acenderam o isqueiro. As informações são da agência de notícias “Associated Press”.
“Queríamos ensinar a este homem uma lição. Estamos cansados ​​de sermos roubados cada vez que vamos para a rua, e a polícia não faz nada”, disse Eduardo Mijares, de 29 anos. Segundo a família, Bernal era um homem tranquilo e passou os dias antes de sua morte cozinhando como gostava. Ele frequentava a igreja local, e já tinha trabalhado no Exército e como cozinheiro.
A viúva de Roberto Bernal, Argelia Gamboa, e seu filho de 11 anos Foto: Ariana Cubillos / AP
Naquela manhã, ele deixou o barraco da família para procurar emprego. Ele deixou a filha na escola e embarcou no metrô. Saiu num bairro de classe média, e, quando se sentou num banco, viu um homem de 70 anos colocando um pilha de notas equivalentes a 5 dólares (R$ 20) num chapéu. Ele pegou o chapéu, escondeu na jaqueta e fugiu passando por um ponto de mototáxi. Provavelmente seguiria para um supermercado onde compraria comida.
De acordo com a reportagem da “AP”, o homem o perseguiu, gritando "ladrão!". Quando o espancamento começou, muitas pessoas fugiram temendo o que aconteceria, mas uma multidão apoiou a ação.
Ele provavelmente teria morrido queimado no local, mas foi socorrido pelo pastor Alejandro Delgado, que trabalha como mototaxista. O pastor apagou as chamas, e Bernal foi socorrido. “Esses caras com quem trabalho todos os dias tinham se transformado em demônios. Eu podia ouvir a carne do homem queimando e estalando. Quando eu apaguei o fogo, eles atiraram garrafas na minha cabeça”, contou à “AP”.
Bernal foi socorrido, e quando a esposa Argelia Gamboa chegou ao hospital não o reconheceu. Ele morreu no dia seguinte ao linchamento.
Roberto Bernal (à esquerda) com o filho mais velho num restaurante na Venezuela
Violência aumentou no país
Segundo a “AP”, o Ministério Público abriu 74 investigações sobre assassinatos nos primeiros quatro meses deste ano, em comparação com dois em todo o ano passado. A Venezuela tem agora uma das maiores taxas de homicídio do mundo, e é difícil encontrar uma pessoa que não tenha sido assaltada.
“A vida aqui se tornou uma miséria. Você anda sempre estressado, sempre com medo, e o linchamento oferece uma catarse coletiva. Você não pode fazer nada sobre as filas ou a inflação, mas por um momento, pelo menos, a multidão parece que estar fazendo a diferença”, disse o diretor do Observatório da Violência Roberto Briceño-Leon.
Familiaraes de Roberto Bernal no barraco da família Foto: Ariana Cubillos / AP