quinta-feira, 21 de abril de 2016

País afunda e 10,4 milhões de pessoas já estão desempregadas

Correio Braziliense - Taxa de desocupação vai a 10,2%, a maior da série histórica do IBGE. Rendimento real recua 3,9% em um ano. Para especialistas, mercado de trabalho ainda vai piorar muito, devido à indefinição política. Não há confiança entre empresários e famílias
Com o país à deriva, sem saber qual será o desenlace do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o desemprego avança a passos largos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua) atingiu, no trimestre terminado em fevereiro, 10,2%, o pior resultado da série histórica iniciada em 2012. Já são 10,4 milhões os brasileiros sem trabalho, evidenciado o quadro mais cruel da recessão. Na opinião dos analistas, quanto mais o Senado demorar para decidir se afasta ou não Dilma, transferindo o poder ao vice Michel Temer, mais a economia afundará e maior será o número de demissões.
Num espaço de um ano, o exército de desocupados aumentou 40,1%. Não por acaso, o Brasil lidera hoje no mundo o total de demissões, conforme levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O que mais assusta os especialistas é que o país está vivendo um quadro inédito: tem uma presidente ameaçada de afastamento, que não desfruta da menor credibilidade junto aos agentes econômicos, e há um possível sucessor que já monta sua equipe mas nada pode fazer para tirar o país do atoleiro. Quem paga a conta desse imbróglio, no fim das contas, são os trabalhadores.
Pelos cálculos do IBGE, a renda também está desabando. O salário médio dos trabalhadores, em fevereiro, foi de apenas R$ 1.934. Em um ano, a perda real (descontada a inflação) chega a 3,9%. A massa de rendimento real habitualmente recebida pelas pessoas ocupadas também está em queda livre. Apontou redução de 2% em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2015 e diminuição de 4,7% frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Já a população ocupada, de 91,1 milhões, cedeu 1,1% ante setembro a novembro de 2015 — menos 1 milhão de pessoas.