quinta-feira, 21 de abril de 2016

Editorial: Um grito de socorro pelos bebês e crianças do RN

Heitor Gregório - Após um chamado pelas redes sociais do médico sempre solidário e envolvido em causas sociais, José Madson Vidal, na última segunda-feira (18) estive na AMICO (Associação dos Amigos do Coração da Criança), onde não só pude conhecer a sede e o trabalho da instituição, mas também participar de uma importante reunião que debateu a situação desesperadora da pediatria no Rio Grande do Norte, nos setores público e privado, com ênfase sobre a falta de leitos de UTI pediátrica e neonatal.
Participaram do debate, dezenas de médicos, especialistas nas mais diversas áreas, mas em sua maioria, pediatras e intensivistas em medicina pediátrica, além de grupos de mães, jornalistas, entidades representativas, sociedade civil organizada, empresários, representantes públicos e até autoridades jurídicas. Um grupo heterogêneo, sem bandeira política e tendo o único propósito de lutar pelas crianças.
É do conhecimento de todos o sucateamento em que se encontra a saúde em nosso Estado, com hospitais superlotados e o maior deles, o Walfredo Gurgel, tendo seus corredores sempre aglomerados de pacientes em condições de miserabilidade, faltando receber o tratamento digno e humanizado previsto pela Constituição como um Dever de Estado.
Mas o foco da reunião foi a pediatria. Atualmente o Rio Grande do Norte tem apenas 45 leitos de UTI pediátrica, com um déficit de 100 leitos. Já UTI´s neonatal são 100 leitos, além dos 50 das Unidade de Cuidados Intermediários. Esses números, já incluem o setor público e privado, o que torna o problema ainda mais amplo, por envolver a rede hospitalar privada e os planos de saúde, que vendem o que não podem oferecer, fazendo bebês e crianças conveniadas muitas vezes ocupar um lugar na rede pública.
Dos médicos, ouvi relatos que me causaram pânico e revolta. Um deles afirmou com a voz engasgada: “Vemos diariamente crianças morrerem por falta de um leito de UTI”. Enquanto isso, no Hospital Onofre Lopes, pertencente à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, consta seis leitos fechados por falta de um ar-condicionado. Em Caicó, vários equipamentos de UTI que foram comprados há anos, estão sem funcionamento no Hospital do Seridó. E as crianças seguem morrendo.
Na realidade, os profissionais de saúde do Estado, que muitas vezes levam culpa, mas são tão vítimas quando as crianças que morrem pela falta da assistência digna, assistem a uma Mistamásia, um termo que ouvi pela primeira vez durante a reunião, que tem como significado, a morte sobre a condição da miserabilidade, segundo um dos médicos que se pronunciou e terá a identidade preservada pelo blog.
Vamos ajudar, participar, debater e se preocupar. A próxima vítima pode ser seu filho ou alguém muito próximo a você.
É chegada a hora de gritarmos com a voz mais forte que possa ecoar de dentro do nosso corpo, clamando por socorro, em defesa das crianças, dos pais…da VIDA.
Uma só corrente e um só caminho: a vida das crianças.