segunda-feira, 28 de março de 2016

Sociedade apoiou os erros de Dilma, diz Delfim Netto

Portal Terra - Para o ex-ministro Delfim Netto, a presidente Dilma Rousseff não é a única culpada pelos erros que ameaçam encerrar seu mandato mais cedo. Delfim não se refere, porém, à equipe de governo, mas sim à maioria dos brasileiros, que apoiou as maiores barbeiragens de Dilma, a ponto de lhe conferir uma alta popularidade na época. “A sociedade apoiou a Dilma nos seus equívocos”, afirmou o economista, em entrevista publicada pelo jornal Folha de S.Paulo neste domingo (27).
“Quando o Executivo é controlado pela pesquisa de opinião, pode ser levado à tragédia”, disse, acrescentando o que considera dois grandes exemplos. O primeiro foi a intervenção de Dilma no setor elétrico em 2012. A presidente endossou um novo marco regulatório para o setor que, entre outras medidas, procurou regulamentar a taxa de retorno dos projetos e baixar as tarifas na marra. Delfim lembra que, por mais desastrada fosse, a decisão lhe rendeu um aumento de seis pontos na popularidade.
Em julho daquele ano, 56,6% dos brasileiros avaliavam positivamente o governo Dilma, entre ótimo e bom, contra apenas 7% que o consideravam ruim ou péssimo, segundo uma pesquisa de opinião da CNT (Confederação Nacional do Transporte). O resultado marcava uma evolução sobre os 49,2% de agosto do ano anterior.
Delfim afirma que o segundo grande erro de Dilma, endossado pela maioria da população, foi reduzir a taxa de juros, sem a contrapartida de adotar ajustes fiscais. “Ela (a presidente) atingiu o máximo de sua aprovação, quando estava no máximo do erro”, disse o economista. “Visivelmente, você estava construindo uma tragédia com o apoio da sociedade”, completou.
O ex-ministro evita cravar um resultado para o processo de impeachment, mas observa que a situação da presidente é “muito difícil” e a que a sociedade simplesmente não acredita mais que ela tenha condições de governar.
Aos 87 anos e com a experiência de ter dirigido o ministério da Fazenda (1967-1974), da Agricultura (1979) e do Planejamento (1979-1985), além de uma longa carreira como deputado federal (1987-2007), Delfim faz uma ressalva: como o impedimento de Dilma depende do Congresso, tudo pode acontecer. “É tão volátil, o Congresso”, diz. “A Câmara é de uma volatilidade enorme; ela varia de 50 votos para 350 com uma notícia”.