quinta-feira, 24 de março de 2016

Políticos do RN do 'listão' da Odebrecht explicam repasses

Novo Jornal - Pelo menos quatro potiguares aparecem na lista com cerca de 200 nomes de políticos beneficiados por pagamentos feitos pela empreiteira Odebrecht: o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB), os senadores José Agripino Maia (DEM) e Garibaldi Alves (PMDB); e o deputado federal Rogério Marinho (PSDB).
Na planilha apreendida pela Polícia Federal, Henrique Alves é tratado como “parceiro histórico” da empreiteira e aparece duas vezes como beneficiário, tendo recebido R$ 1 milhão em cada uma das oportunidades.
José Agripino, presidente do DEM, aparece ao lado do senador Garibaldi Alves Filho como tendo recebido R$ 100 mil. Já para Rogério Marinho aparecem pagamentos de R$ 150 mil em 2012 e R$ 350 mil em 2014.  
Até o fechamento desta edição, apenas o ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves e o deputado federal Rogério Marinho haviam se manifestado sobre a citação de seus nomes da lista de pagamentos da Odebrecht.  
Henrique Alves disse, em nota enviada por sua assessoria de imprensa, que todos os valores constam na prestação de contas apresentada à Justiça.  “Sobre a citação do ministro na lista de doações da Odebrecht, cabe esclarecer que todos os valores recebidos pelo então candidato Henrique Eduardo Alves e ao PMDB-RN foram regulares e constam na prestação de contas apresentadas à Justiça Eleitoral”, diz o texto.
Em tom parecido, Rogério Marinho afirma que todos os repasses vindos da empresa foram feitos ao diretório nacional do partido, não a ele.
“Nunca solicitei doações de campanha à empresa Odebrecht ou a qualquer um de seus diretores, sequer os conheço. Os recursos citados são oriundos do Diretório Nacional do PSDB. As doações eleitorais que recebi foram todas identificadas mediante recibo eleitoral e estão devidamente registradas e aprovadas pela justiça”.
Outros políticos do cenário também se manifestaram. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), confirmou que pediu doações da empreiteira Odebrecht para seu partido, mas negou que tenha recebido recursos em sua própria campanha. “Só recebo doação de caixa 1”.
Cunha disse que não viu a divulgação da planilha da empresa. “Não vi que planilha é, mas várias empresas fizeram doações que foram pedidas, certamente para a minha campanha não foi. Se eu pedi foi para o PMDB e alocada em outras campanhas, como já falei outras vezes ”, disse.
“A Odebrecht doou para o PMDB em alguns momentos a meu pedido, para a campanha do Henrique (Alves), enfim, para o PMDB e o partido distribuiu, não diretamente para a minha campanha, se eu bem recordo”, completou.
Superplanilha da Odebrecht revela quem recebeu dinheiro
A Lava Jato encontrou na residência do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio de Janeiro, a maior relação de políticos e partidos associada a pagamentos de uma empreiteira até agora. As buscas fazem parte da 23ª fase da Lava Jato, a Acarajé, que teve como alvo o casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura que atuaram nas campanhas de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014) e também o executivo da Odebrecht, apontado pelos investigadores como o canal de Marcelo Odebrecht para tratar de doações eleitorais e repasses ilícitos a políticos.
A devassa da Polícia Federal na residência de um dos executivos-chave do esquema de propinas na empreiteira rendeu um total de sete arquivos onde aparecem inúmeras planilhas e tabelas, algumas separadas por Estados e regiões do Brasil e outras por partidos, com nomes dos principais políticos do País.
Também há inúmeras anotações manuscritas fazendo referência a repasses para políticos e partidos, acertos com outras empresas referentes a obras e até documentos sobre “campeonatos esportivos”, que lembram documentos semelhantes já encontrados na Lava Jato e revelaram a atuação de cartel das empreiteiras em obras na Petrobras. Em meio aos avanços da Lava Jato, os executivos da empreiteira anunciaram nesta terça-feira, 22, que vão fazer uma “colaboração definitiva” com as investigações.Nos documentos, contudo, não há nenhum indicativos que os pagamentos sejam irregulares ou fruto de caixa 2 e tampouco a Polícia Federal teve tempo para analisar a vasta documentação.