segunda-feira, 7 de março de 2016

Brasileiro trabalhou 151 dias para pagar impostos em 2015; número pode crescer

Por Felipe Galdino - Francisco de Assis é segurança e diz que bate diariamente ponto no supermercado onde trabalha, no Alecrim. Um cálculo feito pelo Instituto Assaf mostra que Assis, assim como milhões de brasileiros, precisou trabalhar em média 151 dias somente para pagar impostos, em 2015. O estudo foi baseado no Impostômetro, que mostrou mais de R$ 2 trilhões pagos em tributos no ano passado.
Segundo o professor auditor e mestre em contabilidade, Francisco Bráulio, a tendência é que em 2016, a média trabalhada para pagar impostos cresça ainda mais, com o aumento de tributos, como o visto recentemente nos combustíveis.
“A máquina pública é ineficiente e a saída encontrada por ela é aumentar impostos. Toda vez que se vê a necessidade, aumenta-se tributos. Com isso é de supor que essa média apresentada de dias trabalhados cresça”, comentou o especialista.
Em tese, até 31 de maio (5 meses) o brasileiro trabalhou para pagar os seus impostos. “A pessoa trabalha, paga os impostos e não vê retorno [nas ações do governo]”, disse Assis, como é mais conhecido no supermercado. O
problema destacado pelo segurança de que não se vê o retorno adequado do esforço e dos tributos pagos pela população também é um dos destaques lembrados por Bráulio.
“O imposto foi feito para que o arrecadado fosse retornado para o cidadão, como ocorre em países desenvolvidos. O problema é que a máquina pública foi feita para o benefício de poucos. O problema não é a quantidade de dias trabalhados, porque se fossemos bem abastecidos, teríamos o retorno devido. Mas hoje perdemos, muitas vezes, saúde trabalhando, e vemos o mau uso das verbas públicas”, avaliou o professor.
Impostos em 2016
Segundo o Impostômetro, o brasileiro pagou mais de R$ 387 bilhões até o fechamento desta matéria, na noite desta segunda-feira (7). Com esses tributos dá para comprar quase 5 milhões de ambulâncias equipadas, construir mais de 1,3 milhões de postos de saúde equipados ou pagar mais de 500 milhões de salários mínimos.
Para o economista e professor da UFRN William Eufrásio, a quantidade de impostos pagos mostra que “tem trabalhador que trabalha mais e ganha menos e os que trabalham menos e ganham bem mais”.
Ele lembra que quem ganha até três salários mínimos usa cerca de 40% da renda em impostos, enquanto que aqueles que ganham mais de 50 salários mínimos gastam menos de 20% da renda com tributos.
“Isso ocorre porque nossa carga tributária é regressiva quando deveria ser progressiva [a quantidade de tributos pagos serem maior para quem tiver uma renda maior]”, afirmou Eufrásio.