segunda-feira, 14 de março de 2016

Aliados admitem que protestos fortalecem impeachment

Jornal O Globo - Lideranças dos partidos que dão sustentação para o governo da presidente Dilma Rousseff, como PMDB, PSD e PR, acreditam que as manifestações de ontem terão forte impacto sobre o processo de afastamento da presidente no Congresso. Se o apoio à manutenção do mandato dela ainda é quase total entre os partidos de esquerda, as bancadas do chamado “Centrão”, que dão sustentação a todos os governos, estão divididas a respeito do impeachment.
O líder do PSD, Rogério Rosso (DF), acredita que o impeachment ganhou força com os protestos, tendo em vista que ainda esta semana o Supremo Tribunal Federal (STF) deve dar a palavra final sobre o rito do processo, e a Câmara pode criar a comissão especial que o analisará:
— A semana será decisiva, pois o Supremo libera o rito, e a Câmara deve dar continuidade. Os partidos levarão as manifestações em consideração, e o impeachment ganha força.
O deputado diz que, antes das manifestações, cerca de 60% da bancada do PSD eram favoráveis ao impeachment. Mas o partido voltará a se reunir para um balanço após as manifestações.
Líder do PR na Câmara, Maurício Quintella Lessa (AL), disse que os deputados de seu partido estão muito divididos quanto ao impeachment e as manifestações de ontem terão impacto relevante na opinião dos parlamentares. Segundo Lessa, com o andamento do processo de impeachment no Congresso, os deputados se reunirão nos próximos dias:
— Não se pode menosprezar a força das ruas. O PR sempre foi muito leal ao governo, mas está dividido quanto à CPMF e ao impeachment. A realidade há um mês era muito diferente da de hoje. Vamos discutir e não deixaremos ninguém no partido num beco sem saída. Qualquer pedido do governo, no momento, pesa muito pouco.
No PMDB, a divisão da bancada é flagrante e, segundo a cúpula partidária, os deputados são independentes para votar o afastamento da presidente. A convenção do último sábado, em que foi proibida a indicação de filiados para cargos no governo pelos próximos 30 dias ou até que a direção decida pela ruptura ou não com Dilma, reforça o entendimento de “independência”.
Ao lado de Dilma, está o PT, PCdoB e PDT. Apesar de já ter anunciado que desembarcará do governo até 2018 para ter candidatura presidencial, o presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que fazer o impeachment avançar, é “golpe”:
— O PDT vai continuar onde está, vai lutar pelo princípio democrático. Não podemos aceitar impeachment sem um fato. Não é com quantidade de manifestante que vai se decidir isso.