quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Natal tem três delegacias fechadas

Tribuna do Norte - Mais uma delegacia é fechada por falta de estrutura em Natal. A 11ª DP, localizada em Cidade Satélite, foi interditada ontem pela Defesa Civil e Vigilância Sanitária (Covisa).  O principal motivo para a medida seria o risco de desabamento do teto do local, que está escorado com vigas de madeira. As atividades da delegacia, que abrange a população dos bairros de Pitimbu, Planalto e Guarapes, foram transferidas para a 8ª DP, em Cidade da Esperança, Zona Oeste de Natal.
Moradores e trabalhadores estão temerosos com a insegurança que assola a região. “É uma grande perda. A criminalidade está muito grande por aqui. Com a delegacia fechada, a tendência é aumentar”, contou José Iranildo, 32, funcionário de um lava-jato que fica defronte à antiga DP. Mesmo com a presença de uma distrital, há quem ainda permanecesse com a sensação de medo. “Mesmo com a delegacia não me sentia segura, imagine agora que não temos mais”, relatou Wanderleia Lima, 24, moradora do bairro Planalto.
Essa é a terceira delegacia distrital fechada em dois anos e meio. Em julho de 2013, a 7ª DP, no bairro das Quintas, Zona Oeste, foi interditada pela Covisa após verificação de condições insalubres aos servidores. O atendimento foi transferido para a 14ª DP, em Felipe Camarão. Já em fevereiro de 2014, foi a vez da 13ª DP, no bairro da Redinha, Zona Norte da capital, ser interditada após técnicos da Defesa Civil identificarem risco de desabamento do prédio. As atividades foram transferidas para a 9ª DP, no Panatis.
As últimas interdições revelam uma preocupante constatação. Os prédios que abrigam as delegacias não dispõem de condições mínimas de estrutura tanto para os servidores e público em geral quanto para os apenados, conforme relatou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do Rio Grande do Norte  (Sinpol/RN), Paulo César de Macedo. “Todas as delegacias possuem algum tipo de deficiência estrutural, mas as distritais estão em uma situação mais difícil”.
Dentre os principais problemas, estão a falta de manutenção hidráulica, portas e fechaduras danificadas, comprometimento da rede elétrica e  surgimento de rachaduras em paredes e tetos dos prédios. “Muitos são antigos e não receberam reparos nos últimos anos”, disse Paulo. Mesmo com as precaridades, o Sinpol não registrou incidentes envolvendo o pessoal responsável pelas distritais e os presos que ocupam as celas das DP’s.
Ainda de acordo com o representante sindical, a Delegacia Geral de Polícia Civil (Degepol) não repassa prazos para sanar os problemas, que não são de hoje. “No último governo, mais de 16 milhões de reais foram devolvidos ao Governo Federal por falta de projetos do Governo do Estado para reformar as delegacias”.
 Em relação à DP de Cidade Satélite, Macedo afirmou que o prédio foi construído em um terreno cedido por uma construtora ao governo estadual à época da construção do conjunto Pitimbu, e que qualquer alteração estrutural no espaço não poderá ser realizada. “Para os projetos serem executados, a estrutura deve pertencer ao Estado”, disse.
A informação é contestada por Gustavo Santana, diretor administrativo da Polícia Civil. “Iremos construir um outro prédio no mesmo lugar do atual”. Sobre os projetos de reformas e construção de novas instalações, o diretor informou que a Degepol já encaminhou toda a documentação à Secretaria de Infraestrutura do Estado (SIN), e que aguarda a liberação desta para realizar licitação e contratação de empresa que será responsável pelos serviços. As obras de reparos nas 12 DP’s e de construção das outras três serão custeadas com recursos próprios da Polícia Civil. Até o momento, não há prazo previsto para a autorização.
Sobre as três delegacias que não estão em funcionamento, Gustavo informou que a Degepol está em busca de terrenos para que o Governo do Estado tenha a titularidade para erguer novos prédios. Como é o caso da 13ª DP, na Redinha. “Estamos à procura de áreas disponíveis no mesmo bairro”, disse. Outra delegacia que não foi interditada, mas que também está com instalações comprometidas, é a 15ª DP em Ponta Negra. A distrital já possui terreno repassado pela Prefeitura do Natal ao Estado, onde será erguida nova sede, mas esbarra na ausência da liberação dos projetos pela SIN. Cada novo prédio deverá custar, em média, R$750.000.