sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Mercado fecha 12 mil vagas no Rio Grande do Norte

Tribuna do Norte - Pela primeira vez, desde 2003, o mercado formal de empregos no Rio Grande do Norte fecha o ano no vermelho. Em 2015, foram contratados 170.347 trabalhadores com carteira assinada e desligados 182.645, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem. O saldo negativo de 12.298 vagas foi puxado pela construção civil, que fechou 6.305 empregos em função da debilidade do mercado imobiliário. Em segundo lugar, com maior saldo negativo vem a indústria de transformação (-3.930) e em terceiro o comércio (-2.237).
Os números mostram que dos oito setores catalogados no banco de dados do Ministério do Trabalho, só houve saldo positivo em dois: agropecuária, com 505 novas vagas criadas, e serviços, com 529. Até mesmo a administração pública fechou negativo.
Os maiores mercados da construção civil também foram os que tiveram maior número de demissões no Estado. Dos 12.298 postos de trabalhos fechados no ano passado, 7.590, ou 61,7%, foram em Natal. Em Mossoró foram (-1.473) e em  Parnamirim (-1.158).
No geral, houve saldo negativo de empregos em 78 municípios, positivo em 83 e em seis deles os números se mantiveram no mesmo patamar de 2014. Entre os municípios em que o emprego avançou, destaque para Assu, como 487 novos postos criados, Apodi 429, Macau 258, Tibau do Sul 195 e São José de Mipibu 177.
“Não deverá haver melhora desse quadro no início de 2016. Pelo menos até o primeiro quadrimestre, não!’, disse ontem o economista Aldemir Freire, que coordena outro tipo de pesquisa sobre emprego no Rio Grande do Norte – a PNAD Contínua, do IBGE. Para ele, não deverá haver mudanças na construção civil no primeiro semestre, a não ser que alguns grandes projetos públicos sejam iniciados, como as melhorias no trecho Natal-Parnamirim da BR-101, que prevê a construção de viadutos, passarelas de pedestres e vias marginais.
A vice-presidente do Sindicato da Construção Civil, Larissa Dantas, concorda que o setor deverá permanecer em fogo brando no primeiro semestre. “O momento é de cautela. E como a construção civil envolve investimentos muito alto, isso só vai melhorar quando a confiança do investidor voltar. Acredito que em meados do ano.” Apesar disso, ela demonstra confiança num ano melhor em 2016. “As demissões que deveriam acontecer na construção civil já foram efetivadas. Nossa expectativa é positiva. Se a gente falar em mercado imobiliário, onde o produto demora mais ou menos dois ou três anos para ser concluído, há necessidade de iniciar as obras agora em 2016 para que elas estejam prontas em 2017 ou em 2018.”
Larissa disse que não houve registro de novos lançamentos no segundo semestre de 2015, mas “pelo o que vemos no plano nacional, a expectativa do mercado é que isso ocorra no segundo semestre de 2016. O governo federal já sinalizou com incentivos para a construção civil.”
De 2003 para cá, o pico do emprego ocorreu em 2010, melhor ano do Minha Casa Minha Vida, quando foram criadas 29.739 novas vagas no Rio Grande do Norte. Desde então o saldo vem caindo ano após ano. Em 2011 o saldo foi de 12.269 vagas, no ano seguinte 12.265. Em 2014 foram criados 10.161 novos postos de trabalho com carteira assinada. Dezembro foi responsável por mais de um terço do dado negativo do ano. Naquele mês foram fechadas 4.359 vagas no RN.
De acordo com o Caged, todos os estados do Nordeste tiveram saldo negativo no ano passado. Os 12.298 do RN representam uma queda de 2,69% no estoque de empregos. A média do Nordeste foi de (-3,74%) a mesma do Brasil. Dos nordestinos, Pernambuco, teve o pior desempenho (-6,43%).
Salários médios de admissão têm queda de 1,64%
Em meio à retração no número de vagas de emprego formal, 2015 também apresentou uma redução nos rendimentos dos trabalhadores. De acordo com os dados do Caged, os salários médios de admissão tiveram uma queda real de 1,64% no ano passado. O valor médio foi de R$ 1.291,86 em 2014, para R$ 1.270,74. “Os dados mostram uma capacidade de resistência da renda média neste mercado de trabalho, que preserva o poder de compra muito próximo à inflação”, avaliou o ministro Miguel Rossetto. Segundo o ministro, a redução no número de empregos foi proporcionalmente mais forte que a queda na renda do trabalhador.  Entre os homens, a retração dos salários de admissão foi mais acentuada, com uma redução real de 2,28%, enquanto as mulheres tiveram uma perda média de 0,34%.
Pelo recorte regional, apesar dos números negativos em todo o País, o Sudeste concentrou a maior parte dos fechamentos de vagas de trabalho. Foram menos 891 mil empregos em 2015, mais da metade desse número apenas no Estado de São Paulo. Para Rossetto, o dado se justifica pela grande concentração industrial na região. O Nordeste teve o segundo pior resultado, com o fechamento de 254 mil empregos, enquanto a região Sul encerrou 229 mil vagas.
O líder do PPS na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno (PR), disse que o resultado do Caged mostra que “o desespero bate à porta do trabalhador”, com o número recorde de empregos fechados no ano passado. Em nota, Bueno diz que os números são alarmantes, “um desastre do ponto de vista social”, já que se trata de desemprego afetando milhares de famílias. “Os números assustam, mas o governo continua a fazer propaganda na televisão e o PT também, quando na realidade a incompetência campeia”, afirmou Bueno.