quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Lava Jato recuperou R$ 2,8 bi desviados, diz MPF

Congresso em Foco - Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) segura há quatro meses a análise das primeiras denúncias da Operação Lava Jato contra parlamentares, a Justiça Federal no Paraná já impôs 80 condenações a acusados de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. Dos R$ 6,4 bilhões em propina identificados nos crimes denunciados, R$ 2,8 bilhões já foram recuperados por meio de acordos de colaboração. Desde o início da operação, em março do ano passado, foram fechados 40 acordos de delação premiada com pessoas físicas e cinco acordos de leniência com empresas.
Os valores devolvidos aos cofres públicos representam 19% dos R$ 14,5 bilhões de ressarcimento solicitados pelo Ministério Público Federal (MPF). As penas impostas pelo juiz federal Sérgio Moro aos condenados somam, até agora, 783 anos e dois meses de prisão. Ao todo, os procuradores da força-tarefa pediram a abertura de processo contra 179 pessoas por delitos como corrupção, formação de quadrilha, crimes de corrupção, contra o sistema financeiro internacional, formação de organização criminosa, lavagem de ativos e até tráfico transnacional de drogas. Os números fazem parte de balanço da Lava Jato concluído no último dia 18 pelo MPF.
Entre os delatores, a maior devolução foi feita por Pedro Barusco, ex-gerente da área de engenharia da Petrobras. Ele se comprometeu a devolver US$ 97 milhões, cerca de R$ 247 milhões, que recebeu em propina em quase 20 anos. O ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, com R$ 70 milhões, e o doleiro Alberto Youssef, com R$ 55 milhões, completam a lista das pessoas físicas com maiores valores devolvidos.
Segundo os acordos firmados até agora entre o Ministério Público Federal e as empreiteiras, a Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa vão devolver, ao todo, R$ 1,7 bilhão. As duas empresas se comprometeram a colaborar com as investigações e ressarcir os cofres públicos em troca da redução da pena a ser imposta a seus executivos e funcionários. A devolução desses recursos, no entanto, ainda depende de homologação judicial.